Produtores de séries de TV buscam audiência fazendo chacotas com evangélicos

As produtoras de séries de TV vêm apostando cada vez mais em piadas e sátiras que ridicularizam os evangélicos, buscando audiência com esteótipos e achincalhe da fé protestante.

As chacotas variam de teor, passando pela crença na Criação do universo, até relações homossexuais entre fiéis. A receita polêmica parece ser uma das preferidas dos profissionais de TV atuais, visto que o segmento evangélico sempre se opõe à agenda em voga, destacando que homossexualidade, aborto e ideologia de gênero são contrários à Bíblia.

Aclamada como uma das maiores séries cômicas dos últimos anos, The Big Bang Theory(Warner), costuma mostrar Mary, a mãe do nerd Sheldon Cooper (Jim Parsons), como uma evangélica devota, típica do conservador estado do Texas, e usa isso para expor a veia racional – e por vezes ateísta – do protagonista.

Nos episódios da série, debates sobre o criacionismo e o evolucionismo são constantes entre Mary e Sheldon, sempre com a mãe exposta como uma fanática religiosa e hipócrita, já que o filho a flagrou transando com o namorado.

“Essa visão de que o evangélico não pratica o discurso que prega é marca de outras comédias”, destacou o jornalista João da Paz, do Notícias da TV.

Uma das séries que seguem essa linha é Blackish (Sony), em que uma avó, interpretada por Jennifer Lewis, mostra-se uma cristã fervorosa, mas vive trocando de namorado e adapta a Bíblia ao seu interesse.

A versão norte-americana de The Office (2005-2013) costumava atacar os evangélicos através de uma personagem que era contadora. Ela se dizia cristã e sempre era vista lendo a Bíblia, mas os colegas a consideravam pouco confiável.

Netflix

A plataforma de streaming de vídeos costuma, com frequência, alfinetar a fé cristã em suas produções. Em algumas delas, o assunto preferido é o estereótipo de que igrejas são uma comunidade formada por hipocrisias e escândalos sexuais.

Greenleaf é uma série que constrói sua trama em cima de adultérios, homossexualidade, sexo no templo ao lado da Bíblia, estupro de adolescentes e desvio de dinheiro. O roteiro se resume, basicamente, em mostrar a comunidade evangélica como uma enorme hipocrisia.

Já em The Get Down (2016-2017), que conta o surgimento do hip-hop nos anos 1970, um pastor pentecostal é mostrado como um radical religioso, que não permitia que a filha cantasse músicas seculares e a agrediu antes de expulsá-la de casa por esse motivo.

Evangélicos

Essa receita no entanto, pode se voltar contra as produtoras norte-americanas. Uma pesquisa de 2015 do instituto Pew Research mostrou que 70,6% da população dos Estados Unidos é cristã, e dessa fatia, 46,6% são protestantes. Há mais norte-americanos sem religião (22,8%) do que católicos (20,8%).

Talvez por isso a Netflix tenha apostado em uma série dramática que mostra uma família evangélica enfrentando um grave problema depois que o filho foi atropelado. Sem chacotas, Seven Seconds mostra os momentos de aflição, oração e questionamento da família durante a provação.