Veja publica artigo com discriminação a evangélicos: “Gente incômoda”; Pastores reagem

Ao longo do texto, Guzzo dispara contra os evangélicos de forma generalizada e expõe toda sua irritação com a liberdade religiosa, aparentando apoiar o fim desse direito. A certa altura, suas palavras tomam uma conotação ainda mais preconceituosa: “Esse povo, em grande parte do ‘tipo moreno’, ou ‘brasileiro’, vem sendo visto com horror crescente pela gente de bem do Brasil”, escreveu o jornalista, sugerindo de forma pejorativa um estereótipo racial para os fiéis.

Na vião de J. R. Guzzo, a “gente de bem” não são necessariamente classificadas por sua honestidade e conduta irrepreensível. Ele explica: “Sabe-se quem são: os mais ricos, mais instruídos, mais viajados, mais capacitados a discutir política, cultura e temas nacionais. São geralmente descritos como esclarecidos, liberais, intelectuais, modernos, politizados, sofisticados e portadores de diversas outras virtudes. Toda a esquerda nacional, por definição, está aí dentro”, argumenta.

O “gente de bem”, na visão de J. R. Guzzo, seria o oposto do que são os evangélicos, e o jornalista não se contenta com pouco no que se refere à crítica a esse setor da sociedade: “Retrógrados, reacionários, repressores, fascistas e inimigos da democracia. Já foram condenados como machistas, homofóbicos e fanáticos”.

Indo além, o colunista da revista Veja diz que o que torna os evangélicos incômodos “está nas suas convicções como cidadãos”. Sem falar francamente, Guzzo dá indícios de quais pontos o incomodam na forma de ver, ser e pensar dos evangélicos: a oposição ao “progressismo”, à relativização de valores e a desidratação da família como instituição.

Resposta

A reação à postura do jornalista foi automática da parte de fiéis, nas redes sociais, e lideranças religiosas de diversas denominações. O deputado Ezequiel Teixeira (Podemos-RJ); o apóstolo Rina, da Igreja Bola de Neve; e o pastor e escritor Asaph Borba foram alguns dos que repudiaram as colocações do jornalista.

Teixeira – que também lidera o Ministério Projeto Vida Nova – destacou que o artigo publicado pela Veja é uma incitação ao “ódio a pessoas que são pacíficas e estão na vanguarda dos princípios e valores éticos desta nação”.

O deputado afirmou que os evangélicos realmente são um “povo que incomoda”, porém só se sentem incomodados os que se opõem à moralidade: “Somos um povo que verdadeiramente luta pelos valores da família, contra o lixo moral e a pedofilia. E nós vamos continuar incomodando, doa a quem doer”, avisou o parlamentar.

Rina levantou questões sobre o objetivo do jornalista e da revista com o artigo: “Por que o esforço em ridicularizar um povo que só promove o bem e o amor ao próximo, que atua diariamente e longe dos holofotes e do reconhecimento da mídia, a serviço das reais necessidades da sociedade, que inspira o altruísmo, ensina valores e princípios morais e éticos, como honestidade, integridade e lealdade, que recupera e reintegra vítimas das drogas e de tantas outras mazelas?”, questionou.

“Porque esse povo não concorda com a agenda de destruição da família? Porque são os poucos que se opõe? Onde está a liberdade de expressão que tanto se defende?”, contrapôs o apóstolo da Bola de Neve, em sua coluna no portal Guia-me.

“Numa democracia todos são livres para expressar e defender suas ideias e ninguém é obrigado a concordar com elas. Estamos incomodando? E aí vale usar termos preconceituosos na tentativa de desqualificar os cristãos diante do restante da sociedade? Como se não houvesse contribuição nenhuma dessa parcela da população na construção e evolução da nação? Aqui estão alguns morenos, dessa ‘incômoda religião’, que segundo a matéria, se tornou um ‘problema sem solução’”, acrescentou.

Asaph Borba pontuou que Guzzo foi infeliz de diversas formas: “Como evangélico e jornalista, quero dizer que o artigo é muito mal escrito, pois é confuso em sua abordagem e, comete erros básicos, como se referir ao público em questão com termos discriminatórios de raça e cor e ainda com uma conotação pejorativa”, pontuou.

“O articulista não deixa claro quais são as pessoas de bem a quem os evangélicos tanto perturbam. Fico livre, então, para imaginar quem seriam esses baluartes da honestidade e da intelectualidade que estão perturbados pelo aumento da fé evangélica. Quem são os políticos preocupados com o aumento da bancada evangélica? Essa gente ‘de bem’, por certo, deve ser a elite que cuida e direciona a educação e a cultura brasileira e quer impor goela abaixo da população suas práticas liberais, contrárias à Palavra de Deus, e que não são defendidas pelos evangélicos”, criticou Borba.