Igreja realiza primeiro culto após massacre e pastor perdoa assassino de sua filha

Em um templo improvisado com uma tenda, num campo de beisebol, a Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs realizou o primeiro culto após o massacre perpetrado pelo ativista ateu Devin Patrick Kelley, 26 anos, que tirou a vida de 26 pessoas com idades entre 5 e 72 anos.

A igreja texana recebeu centenas de pessoas, e as abas laterais da tenda usada para o culto precisaram ser abertas para que todas as pessoas presentes pudessem acompanhar a celebração.

Dentre os presentes, duas pessoas chamaram atenção: a ex-sogra do atirador, que é membro da congregação, e o senador John Cornyn, que entregou uma mensagem de condolências. “A dor de perder 26 membros é esmagadora. Muitas vidas foram mudadas para sempre. Não consigo imaginar o que essas pessoas estão passando desde então”, disse.

De acordo com informações da emissora Christian Broadcasting Network, o pastor da igreja, Frank Pomeroy, perdeu a filha de 14 anos na tragédia, Annabelle. “Ao invés de escolher a escuridão, escolhemos a vida. Temos a liberdade de escolher, e ao invés de escolher a escuridão como aquele homem fez naquele dia, eu digo que escolhemos a vida. Amém? Aqueles 26 que não estão mais conosco estão dançando em Sua presença hoje”, afirmou.

Outro pastor, Mark Collins, que no passado dirigiu a Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs, revelou que o encontro do último domingo, 12 de novembro, foi o maior da história da congregação. O líder evangélico afirmou que os membros agora estão prestando apoio à família do ativista ateu: “Nossos corações e orações vão para a família dele”.

A ex-mulher do atirador, Tessa Brennaman, 25 anos, falou sobre Kelley: “Ele tinha muito demônios e muito ódio dentro dele”, disse, lembrando de uma situação em que foi ameaçada por ele: “Ele tinha uma arma no coldre, então ele pegou a arma e colocou na minha testa e me disse: ‘Você quer morrer? Você quer morrer?’”, relembrou.

Memorial

O templo da igreja já recebeu reparos, mas provavelmente não voltará a ser usado como local de culto. Os membros decidiram transformar o local em um memorial das vítimas do incidente.

Todo o interior foi reparado, com os buracos de balas todos tapados, e paredes, piso, palco e púlpito pintados de branco. Todas as cadeiras foram removidas, assim como os equipamentos de som e carpetes. No interior, restaram apenas 26 cadeiras, também brancas, representando cada vítima do atirador.

Os próximos cultos serão feitos no terreno onde o templo está, mas não em seu interior. Os membros decidirão se o local deve ser demolido para a construção de um novo, ou se outro templo será erguido em outro local.